Em março, a programação não cessa de surpreender e tem um toque internacional, com “traços” do Brasil, Moçambique, Magreb e França. Mas há ainda espaço para teatro no feminino e para a primeira edição do Mercado Periférico, um evento que terá concertos, palestras e a presença de várias editoras com merchandising.
No dia 21, quinta-feira, a partir das 19h00, mas no Palácio Gama Lobo, há um Workshop de Danças Tradicionais Moçambicanas, com alguns dos bailarinos que estão no centro de uma outra peça de dança, desta vez dirigida pelo conhecido coreógrafo Victor Hugo Pontes. Neste workshop de danças tradicionais, brilham a “Marrabenta” e a “Ngalanga”, oriundas do Sul daquele país africano. Três dos bailarinos que integram o elenco de “Bantu” vão partilhar com os participantes esta face do património cultural de Moçambique, abordando áreas como o movimento, o ritmo, o canto, a energia e os seus significados. A entrada é gratuita, mediante inscrição através do email cinereservas@cm-loule.pt.
No dia seguinte, a 22, pelas 21h00, “Bantu” sobe ao palco do Cineteatro Louletano. “Bantu” designa uma família de línguas faladas na África subsariana: é identidade e é comunidade. Mas Bantu pode ser mais que isso: uma linguagem própria que sobreviveu às línguas europeias impostas; um mecanismo identitário; um signo vedado ao colonizador; uma forma de comunicação, plena de códigos culturais, históricos, religiosos e políticos; a materialização efémera de um longo encontro. A palavra “Bantu” acolhe tudo o que queremos ou imaginamos que o espetáculo Bantu seja. O que Bantu será, contudo, depende dos olhos de quem vê. A criação teve origem num convite endereçado a Victor Hugo Pontes pelos Estúdios Victor Córdon e pelo Camões – Centro Cultural Português em Maputo, para o desenvolvimento de uma nova criação de dança com intérpretes moçambicanos e portugueses. Os EVC e o Camões – Maputo são parceiros numa programação conjunta para três temporadas, que visa criar pontes entre Portugal e Moçambique e promover a circulação e internacionalização da dança. A sessão de “Bantu” terá o recurso de Audiodescrição, para cegos e/ou pessoas com baixa visão.
No dia seguinte, sábado, 23, também à noite, às 21h00, Loulé acolhe a 24.ª edição do Festival de Música Al-Mutamid, que traz ao palco do Cineteatro Louletano a Orquestra Al-Qarawiyin, com sonoridades e ritmos do Magreb. O espetáculo contará ainda com a participação de uma bailarina de dança árabe-andalusi, exemplificando estilos de dança do período muçulmano (711-1492) na região al-Andalus. Este é um concerto com o selo e a inspiração do Festival Med.
A 24, domingo, o Cineteatro Louletano acolhe o concerto de abertura do FITA, que já vai na sexta edição. O FITA – Festival Internacional de Trompete do Algarve aposta este ano em talentos nacionais, trazendo alunos, professores, todo o tipo de instrumentistas de metais de toda a parte do país. A 24, pelas 21h00, no Cineteatro toca o decateto de metais Portuguese Brass, enquanto que no dia 25, no Auditório do Solar da Música Nova, há Trumpet Ensemble Reunion (18h00), Grupo de Metais do Seixal (21h30) e às 23h00 uma Jam Session no Café Calcinha, com o convidado Marc Chevalier. Chevalier estudou na Northwestern University em Chicago e apresenta-se regularmente com a Orquestra Sinfónica Orchestra XIX, o Collectif 30 e em recitais de trompete e órgão. Como músico de jazz, tem também tocado regularmente em vários trios, bem como na Amazing Keystone Big Band,. O FITA ’24 inclui ainda, como habitualmente, várias masterclasses e ainda uma conferência/debate com os Portuguese Brass e outra sobre o Trompete Barroco, falando sobre o grupo de trompetes da Casa Real Portuguesa no séc. XVIII, pelo Dr. David Burt.
A fechar o mês, no dia 27, Dia Mundial do Teatro, uma estreia: É “Falarte”, uma coprodução do TEatroensaio e do Cineteatro Louletano. Eduarda Dionísio criou 4 personagens femininas míticas do teatro, nas vozes de Clara Nogueira, Catarina Rapazinho, Inês Leite e Márcia Gomes. Mulheres inteiras, árvores assoladas no espaço-tempo da guitarra de Eduardo Baltar Soares e imagens vídeo de Mafalda Salgueiro, numa estória que nos traz as falas, as vozes de personagens míticas femininas do Teatro. Expondo um espaço íntimo, construído em torno da sua respiração e dos seus silêncios, levando-nos ao universo destas figuras trágicas que falam aos que amam, com toda a verdade crua.



