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Quinta-feira, Julho 16, 2026
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Coluna Saúde: Psoríase: entendendo a doença autoimune que vai além da pele

Muito além das lesões visíveis na pele, a psoríase é uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Ainda cercada por preconceitos e desinformação, a doença não é contagiosa e exige um olhar integral sobre a saúde do paciente.

Caracterizada por placas avermelhadas recobertas por escamas esbranquiçadas, a psoríase surge quando o sistema imunológico passa a estimular de forma inadequada a renovação das células da pele. Esse processo, que normalmente ocorre em cerca de 28 dias, passa a acontecer em apenas alguns dias, provocando o acúmulo de células e o aparecimento das lesões características.

Embora possa surgir em qualquer parte do corpo, as regiões mais afetadas costumam ser couro cabeludo, cotovelos, joelhos, mãos, pés, unhas e região lombar. Em alguns pacientes, a doença também compromete as articulações, quadro conhecido como artrite psoriásica.

Uma doença sem cura, mas com controle

Até o momento, a medicina ainda não dispõe de uma cura definitiva para a psoríase. Entretanto, os avanços terapêuticos permitem controlar a doença com bastante eficácia, reduzindo a frequência das crises e proporcionando melhor qualidade de vida.

O tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos tópicos, fototerapia, medicamentos sistêmicos, imunobiológicos e mudanças no estilo de vida. O acompanhamento médico é indispensável para definir a melhor abordagem em cada caso.

O que provoca a psoríase?

A psoríase possui origem multifatorial. A predisposição genética é um dos principais fatores envolvidos, mas sua manifestação geralmente depende da interação com fatores ambientais e imunológicos.

Entre os gatilhos mais conhecidos estão:

  • estresse emocional;
  • infecções;
  • traumas na pele;
  • obesidade;
  • tabagismo;
  • consumo excessivo de álcool;
  • alterações hormonais;
  • uso de determinados medicamentos.

O estresse merece destaque por ser um dos desencadeadores mais frequentemente associados às crises. Além de favorecer o aparecimento das lesões em pessoas predispostas, ele pode intensificar os sintomas em quem já convive com a doença.

A conexão entre pele e emoções

A pele responde constantemente aos estímulos do organismo, inclusive aos emocionais. Situações prolongadas de ansiedade e estresse aumentam a produção de substâncias inflamatórias, podendo contribuir para a piora dos sintomas em pacientes com psoríase.

Isso não significa que a doença tenha origem exclusivamente emocional. Ela resulta de alterações do sistema imunológico, mas o equilíbrio emocional faz parte do controle da enfermidade.

Por isso, muitos especialistas recomendam que o tratamento inclua estratégias de redução do estresse, prática regular de atividade física, sono adequado, apoio psicológico quando necessário e atividades que promovam bem-estar.

Alimentação também faz diferença

Embora nenhum alimento seja capaz de curar a psoríase, uma alimentação equilibrada pode contribuir para reduzir processos inflamatórios do organismo.

Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, peixes, azeite de oliva, oleaginosas e alimentos naturais costumam favorecer um melhor estado inflamatório. Em contrapartida, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas, excesso de açúcar e gorduras saturadas pode dificultar o controle da doença em alguns pacientes.

A manutenção do peso saudável também está associada a melhores respostas ao tratamento.

Psoríase no couro cabeludo

Entre as manifestações mais comuns está a psoríase do couro cabeludo, frequentemente confundida com caspa devido à intensa descamação.

No entanto, além das escamas, podem surgir placas avermelhadas, coceira intensa, sensibilidade e desconforto.

Nesse contexto, o tricologista desempenha papel importante na orientação dos cuidados com o couro cabeludo, identificando alterações, auxiliando na escolha de produtos adequados e trabalhando em conjunto com o dermatologista para preservar a saúde da pele e dos fios.

Informação reduz o preconceito

Um dos maiores desafios enfrentados pelos pacientes ainda é o preconceito. Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que a doença pode ser transmitida pelo contato físico.

A psoríase não é contagiosa. Ela é resultado de uma resposta inadequada do sistema imunológico e não oferece risco de transmissão.

Promover informação de qualidade é uma das formas mais eficazes de combater o estigma e incentivar o diagnóstico precoce.

Cuidar da pele é cuidar da saúde como um todo

A psoríase ensina que a pele não deve ser analisada isoladamente. Corpo, mente e estilo de vida estão profundamente conectados.

Quando o tratamento médico é associado a hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, controle do estresse e acompanhamento multiprofissional, é possível controlar a doença e proporcionar ao paciente mais saúde, autoestima e qualidade de vida.

Conhecimento, acolhimento e tratamento adequado continuam sendo as ferramentas mais importantes para quem convive com essa condição.

FABIANA FUKUDA
Tricologista e Cabeleireira

Equipa - Sempre à Mão

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