Devido a seca no Algarve, cortes de água ameaçam milhares de postos de trabalho e a produção de 95 mil toneladas de frutos, adverte a Comissão para a Sustentabilidade Hidroagrícola do Algarve.
As restrições impostas ao consumo de água para poupar água devido à seca que afeta a região podem também colocar em causa cerca de 1.000 postos de trabalho, só na produção de abacates e frutos vermelhos, assim como uma quebra na produção de vinho, alertou a recém-criada comissão, que agrupa 120 produtores, agricultores e associações de regantes do Algarve.
A Comissão, que se constituiu para defender os interesses dos seus representantes, adverte que os cortes de água previstos para a agricultura algarvia ameaçam a produção de 95.000 toneladas de frutos e a perdas de 134 milhões de euros em negócios, em 2025, além dos impactos que se vão fazer sentir também nas produções em 2024, como uma diminuição de 16% na produção de citrinos composta por frutos mais pequenos e com menos sumo.
Ao anunciar cortes de 25% para agricultura e de 15% para o setor urbano, incluindo o turismo, fez esta advertência num primeiro levantamento aos impactos que a medida do Governo terá para a agricultura da região.“Os cortes do fornecimento de água no Algarve anunciados pelo Governo podem levar a uma quebra na produção de 88.000 toneladas de laranjas, 6.500 toneladas de abacates, 850 toneladas de frutos vermelhos, cerca de um milhão de garrafas de vinho e toda a produção ornamental, no espaço de um ano”, quantificou.
Os cortes decididos na reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que durou quase quatro horas e contou com a presença da ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes, foram menores que os que estavam inicialmente previstos para a agricultura e que se estimavam em 70%.


