Muito além das lesões visíveis na pele, a psoríase é uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Ainda cercada por preconceitos e desinformação, a doença não é contagiosa e exige um olhar integral sobre a saúde do paciente.
Coluna de Saúde escrita por Fabiana Fukuda Cabeleireira e Tricologista
Caracterizada por placas avermelhadas recobertas por escamas esbranquiçadas, a psoríase surge quando o sistema imunológico passa a estimular de forma inadequada a renovação das células da pele. Esse processo, que normalmente ocorre em cerca de 28 dias, passa a acontecer em apenas alguns dias, provocando o acúmulo de células e o aparecimento das lesões características.
Embora possa surgir em qualquer parte do corpo, as regiões mais afetadas costumam ser couro cabeludo, cotovelos, joelhos, mãos, pés, unhas e região lombar. Em alguns pacientes, a doença também compromete as articulações, quadro conhecido como artrite psoriásica.
Uma doença sem cura, mas com controle
Até o momento, a medicina ainda não dispõe de uma cura definitiva para a psoríase. Entretanto, os avanços terapêuticos permitem controlar a doença com bastante eficácia, reduzindo a frequência das crises e proporcionando melhor qualidade de vida.
O tratamento é individualizado e pode incluir medicamentos tópicos, fototerapia, medicamentos sistêmicos, imunobiológicos e mudanças no estilo de vida. O acompanhamento médico é indispensável para definir a melhor abordagem em cada caso.
O que provoca a psoríase?
A psoríase possui origem multifatorial. A predisposição genética é um dos principais fatores envolvidos, mas sua manifestação geralmente depende da interação com fatores ambientais e imunológicos.
Entre os gatilhos mais conhecidos estão:
- estresse emocional;
- infecções;
- traumas na pele;
- obesidade;
- tabagismo;
- consumo excessivo de álcool;
- alterações hormonais;
- uso de determinados medicamentos.
O estresse merece destaque por ser um dos desencadeadores mais frequentemente associados às crises. Além de favorecer o aparecimento das lesões em pessoas predispostas, ele pode intensificar os sintomas em quem já convive com a doença.
A conexão entre pele e emoções
A pele responde constantemente aos estímulos do organismo, inclusive aos emocionais. Situações prolongadas de ansiedade e estresse aumentam a produção de substâncias inflamatórias, podendo contribuir para a piora dos sintomas em pacientes com psoríase.
Isso não significa que a doença tenha origem exclusivamente emocional. Ela resulta de alterações do sistema imunológico, mas o equilíbrio emocional faz parte do controle da enfermidade.
Por isso, muitos especialistas recomendam que o tratamento inclua estratégias de redução do estresse, prática regular de atividade física, sono adequado, apoio psicológico quando necessário e atividades que promovam bem-estar.
Alimentação também faz diferença
Embora nenhum alimento seja capaz de curar a psoríase, uma alimentação equilibrada pode contribuir para reduzir processos inflamatórios do organismo.
Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, peixes, azeite de oliva, oleaginosas e alimentos naturais costumam favorecer um melhor estado inflamatório. Em contrapartida, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas, excesso de açúcar e gorduras saturadas pode dificultar o controle da doença em alguns pacientes.
A manutenção do peso saudável também está associada a melhores respostas ao tratamento.
Psoríase no couro cabeludo
Entre as manifestações mais comuns está a psoríase do couro cabeludo, frequentemente confundida com caspa devido à intensa descamação.
No entanto, além das escamas, podem surgir placas avermelhadas, coceira intensa, sensibilidade e desconforto.
Nesse contexto, o tricologista desempenha papel importante na orientação dos cuidados com o couro cabeludo, identificando alterações, auxiliando na escolha de produtos adequados e trabalhando em conjunto com o dermatologista para preservar a saúde da pele e dos fios.
Informação reduz o preconceito
Um dos maiores desafios enfrentados pelos pacientes ainda é o preconceito. Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que a doença pode ser transmitida pelo contato físico.
A psoríase não é contagiosa. Ela é resultado de uma resposta inadequada do sistema imunológico e não oferece risco de transmissão.
Promover informação de qualidade é uma das formas mais eficazes de combater o estigma e incentivar o diagnóstico precoce.
Cuidar da pele é cuidar da saúde como um todo
A psoríase ensina que a pele não deve ser analisada isoladamente. Corpo, mente e estilo de vida estão profundamente conectados.
Quando o tratamento médico é associado a hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, controle do estresse e acompanhamento multiprofissional, é possível controlar a doença e proporcionar ao paciente mais saúde, autoestima e qualidade de vida.
Conhecimento, acolhimento e tratamento adequado continuam sendo as ferramentas mais importantes para quem convive com essa condição.
FABIANA FUKUDA
Tricologista e Cabeleireira



