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Quarta-feira, Abril 1, 2026
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Você pode sofrer de desregulação emocional e nem sabe

Sente emoções muito intensas e, muitas vezes, desproporcionais à situação presente? Tem comportamentos impulsivos que te geram arrependimentos? O seu humor muda repentinamente e sem causa específica? Ou talvez diga que não sente nada ou nem percebe as suas emoções. Se respondeu “sim” a uma ou mais dessas questões, pode estar a sofrer de desregulação emocional. E não está sozinho. A desregulação emocional é um problema que afecta muitas pessoas com algum tipo de problema psicológico. Em Portugal, essas pessoas representam aproximadamente 18,4% da população. Mas o que significa realmente desregulação emocional e como lidar com isso?

A desregulação emocional refere-se à dificuldade ou incapacidade de gerir e responder adequadamente às nossas emoções. Alguém que sofre de desregulação emocional pode sentir emoções muito intensas em comparação com a situação que as causou, podendo sentir tristeza, raiva, irritabilidade constante ou pouca tolerância à frustração. Muitas vezes, essas pessoas sentem-se incapazes de alterar o estado psicológico em que se encontram e ficam presas nessas emoções. Enquanto alguns sinais são evidentes, como explosões de raiva ou crises de choro, outros sinais passam mais despercebidos, como dores físicas inexplicáveis (por exemplo, aquela dor de cabeça que está sempre presente) e mudanças repentinas de apetite. No geral, essas pessoas sentem-se incapazes de relaxar ou tendem a focar a atenção apenas no lado negativo das situações. A impulsividade pode surgir quando essas emoções (medo, raiva, tristeza) estão fora de controlo.

Conviver com a desregulação emocional na vida adulta pode ser muito desafiador e causar problemas nos relacionamentos, no desempenho escolar e na vida profissional. Imagine-se a responder “sim” às perguntas do primeiro parágrafo. Tente lembrar-se da última vez que recebeu uma crítica e sentiu extrema frustração, por exemplo. Se fosse mais flexível ao receber críticas, poderia reavaliar o seu comportamento e aprender com a situação uma melhor forma de se comportar no trabalho ou no relacionamento. Mas não. Quando recebeu a crítica, entrou logo na defensiva, tentando defender-se a qualquer custo e não conseguindo ver o ponto de vista da outra pessoa. Isso tornou-o incapaz de aperfeiçoar o seu desempenho e limitou o seu aprendizado sobre a relação em questão. Pois sempre temos algo a aprender com uma perspectiva diferente da nossa. E talvez, ao ler isto, tenha-se apanhado a tentar justificar-se a qualquer custo. Mas tudo bem, não é culpa sua. É apenas a sua desregulação emocional sentindo a frustração de receber uma crítica.

Alguns transtornos psicológicos são acompanhados de desregulação emocional, como é o caso do TDAH (transtorno de défice de atenção e hiperatividade). Pessoas com TDAH muitas vezes experimentam emoções de maneira mais intensa, têm comportamentos impulsivos e evitam tarefas que geram ansiedade em relação à execução. Porém, coisas muito mais simples, como o stress, a falta de sono e até mesmo a nossa dieta, podem afectar a forma como regulamos as nossas emoções.

Para ajudar a controlar as emoções, exercícios de respiração profunda e mindfulness (consciência plena) podem ser úteis para desenvolver o controlo das emoções através da reconexão com o corpo. As emoções guiam-nos e tentam comunicar o que precisamos para ficar bem, necessidades que muitas vezes não ouvimos. Esta desconexão com as nossas emoções representa uma desconexão com o nosso corpo, que se mostra incapaz de perceber as nossas necessidades. As emoções desempenham um propósito evolutivo de sobrevivência. O caminho de volta para a harmonia e o gerenciamento delas é possível através do nosso corpo. É difícil pensar o nosso caminho fora da desregulação emocional; podemos apenas senti-lo no nosso corpo.

Um corpo seguro e relaxado consegue gerir melhor as emoções e assim satisfazer as suas necessidades. Se acredita que sofre de desregulação emocional, procure orientação e dê esse primeiro passo em direção ao seu bem-estar.

Carol Azevedo – Coach, Terapeuta
Equipa - Sempre à Mão

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