É fácil saber que elas andam por aí. São andorinhas, isso sabemos. Estas (relativamente) pequenas aves têm uma silhueta inconfundível, com as suas asas longas e pontiagudas, e os seus chamamentos são fáceis de reconhecer.
Mas em Portugal ocorrem cinco espécies de andorinhas em meio terrestre. Qual será a espécie que estamos a ver? Quando tentamos uma identificação tudo se pode tornar complicado. Estes exímios acrobatas do ar voam demasiado rápido. Com base em vários guias de aves, no livro “Aves de Portugal – Ornitologia do território continental” e nas andorinhas do ilustrador Marco Nunes Correia, apresentamos-lhe aqui algumas dicas de identificação.
Estas duas espécies ocorrem em zonas urbanas, é muito provável que esteja a olhar uma destas se estiver numa vila ou cidade:

Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica): esta é a maior andorinha que ocorre no país e é muito comum. Por cima é preta com reflexos azulados e por baixo é branca ou branco-amarelado. Procure a sua cauda fortemente forcada e alongada, com penas finas. Os seus ninhos são construídos em forma de taça de lama, reforçada com plantas, em telhados, beirais e chaminés. A incubação dura cerca de 15 dias e as aves abandonam o ninho aos 19 dias de idade.Alimentam-se de insectos. Medem entre 17 e 21 centímetros. Ocorrem entre Fevereiro e Setembro

Andorinha-dos-beirais (Delichon urbicum): esta ave muito comum tem a parte de baixo branca e a parte de cima preta com reflexos azulados. A cauda é preta, e não tão grande e forcada. Os ninhos, muito fechados, são feitos de lama que as andorinhas recolhem em poças de água e construídos em beirais de casas, mas também em pontes, barragens e outras construções humanas. A incubação dura 14 a 16 dias e as aves abandonam o ninho aos 22 a 23 dias de idade.Se alimentam de insectos , têm entre 13 e 15 centímetros. Ocorrem em fevereiro ao início do inverno.
Estas três espécies ocorrem em zonas mais naturais. Além disso, têm uma cor mais acastanhada e há uma delas que vive em Portugal durante todo o ano, a andorinha-das-rochas:

Andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris):É grande e compacta. Por cima é de castanho-acinzentada e o peito é branco-acinzentado manchado de castanho. Quando tem a cauda aberta podem ver-se pequenas pintas brancas, uma das melhores formas de a identificar. É mais provável de a observar junto a penhascos íngremes em zonas elevadas. Faz os seus ninhos em grutas ou cavidades de penhascos ou em zonas montanhosas. A incubação dura 13 a 17 dias e as aves abandonam o ninho aos 24 dias de idade.Se alimentam de insectos,medindo entre 14 e 15 centímetros. É residente e a única espécie de andorinha que ocorre todo o ano em Portugal. Inverna ao longo de uma extensa faixa costeira e a sua época de reprodução começa em princípios de Abril.


Andorinha-dáurica (Cecropis daurica): é parecida à andorinha-das-chaminés, com as penas da cauda compridas e pontiagudas. A diferença é que esta andorinha tem a parte de baixo ligeiramente mais escura e tem um tom pálido (e não preto-azulado) na parte lateral da cabeça. Além disso, na cauda não tem as pintas brancas da andorinha-das-chaminés. Os ninhos são feitos de lama, bastante fechado, construído normalmente em pontes, ruínas, penhascos, zonas montanhosas e costas íngremes, de preferência em áreas com pouca presença humana. A incubação dura 13 a 16 dias e as aves abandonam o ninho aos 22 a 26 dias de idade. Medem entre 14 e 19 centímetros. Ocorrem de Fevereiro a Setembro, mas pode ser vista ainda em Dezembro no Algarve.

Andorinha-das-barreiras (Riparia riparia): esta é a andorinha mais pequena das cinco espécies. Tem a parte de cima de um castanho-acinzentado e parte de baixo clara. A cauda forcada é pouco pronunciada e sem pintas brancas (ao contrário da andorinha-das-rochas). Faz ninhos em colónias, escavando buracos em barrancos verticais de areia ou terra ou em areeiros na margem de rios. A incubação dura 14 ou 15 dias e as aves abandonam o ninho aos 22 dias de idade. É vista muitas vezes a voar rente a lagos e rios, a baixa altitude, à caça de insectos. Medem entre 12 e 13 centímetros. Ocorrem a partir da primeira quinzena de Fevereiro até Agosto, Setembro.
As andorinhas são apenas algumas das espécies que chegam a Portugal para se reproduzir.



